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Gravidez de Marcella Tranchesi via FIV: médicas detalham limites, riscos e taxas de sucesso do tratamento
Após a influenciadora Marcella Tranchesi anunciar a gestação de seu primeiro filho via FIV, médicas especialistas em reprodução humana detalham como a técnica funciona, para quem é indicada e desvendam as principais dúvidas sobre o tratamento
O recente anúncio de que a influenciadora digital e empresária Marcella Tranchesi está à espera de seu primeiro filho trouxe novamente aos holofotes um tema cada vez mais presente na sociedade moderna: a Fertilização In Vitro (FIV). Assim como Marcella, outras personalidades e famosas, como Viviane Araújo e Graciele Lacerda também recorreram à reprodução assistida nos últimos anos. Ao compartilharem suas jornadas rumo à maternidade, essas mulheres ajudam a desmistificar um procedimento que viabiliza a construção familiar para milhares de pessoas.
Mas, afinal, como funciona essa técnica e quem pode recorrer a ela? Para esclarecer as dúvidas que costumam tomar conta das redes sociais sempre que uma figura pública anuncia uma gestação assistida, as especialistas Dra. Paula Fettback Ginecologista e Especialista em Reprodução Humana pela FEBRASGO e Dra. Graziela Canheo Ginecologista Especialista em Reprodução Humana da La Vita Clinic trazem explicações fundamentais e derrubam os principais mitos sobre o tema.
O passo a passo e as indicações da técnica
A FIV é um dos tratamentos de reprodução assistida que oferece maiores chances de sucesso por tentativa. A Dra. Graziela Canheo explica como se dá esse processo: “O processo começa com a estimulação ovariana com medicações hormonais, administradas por cerca de 10 a 12 dias. Quando os folículos ovarianos atingem o tamanho adequado, realiza-se a punção para a captação dos óvulos. No laboratório, eles são fertilizados com espermatozoides para formar embriões. Após 3 a 7 dias de desenvolvimento, geralmente no quinto dia (estágio de blastocisto), pode ser realizada a transferência embrionária”. Após essa etapa, a paciente deve aguardar de 10 a 12 dias para realizar o teste de gravidez.
Ao contrário do que muitos pensam, a FIV não é indicada exclusivamente para o tratamento da infertilidade. “Há diversas indicações, como o estudo prévio de doenças genéticas. Outra indicação é para mulheres próximas ou acima dos 40 anos que têm medo de engravidar espontaneamente, mulheres que buscam ser mães solo e, cada vez mais, casais homoafetivos que querem ter seus filhos nas novas constituições familiares”, esclarece a Dra. Paula Fettback.
Mitos e Verdades sobre a Fertilização In Vitro
Com a popularização da técnica, muitas inverdades circulam sobre o procedimento. Abaixo, as médicas desvendam o que é real e o que é ficção:
A FIV é uma garantia de gestação (MITO)
“A FIV jamais pode ser considerada uma garantia de gestação”, alerta a Dra. Paula Fettback. “Até mesmo em mulheres jovens, o método tem suas limitações. No ‘melhor dos mundos’ alcança-se 70-80% de sucesso por ciclo, mas, na grande maioria das vezes, essa proporção fica em torno de 50-55%. Os resultados dependem muito da idade do óvulo, qualidade do embrião e dos fatores ligados à infertilidade.”
É possível fazer a FIV em qualquer situação (MITO)
“Não diria qualquer situação, mas para aquelas em que a gravidez natural ou outros métodos não funcionam”, pontua a Dra. Paula.
A FIV é diferente da Inseminação Artificial (VERDADE)
Muitos confundem as técnicas. A Dra. Graziela detalha a diferença: “Na FIV, retira-se os óvulos e fertiliza-se com espermatozoides em laboratório, o conhecido ‘bebê de proveta’. O embrião é analisado e transferido para o útero. Já na inseminação artificial, apenas preparamos o sêmen e colocamos dentro do útero no período fértil, e então espera-se que a gravidez se consolide.”
As chances de gravidez múltipla (gêmeos) são maiores (MITO)
“Atualmente, buscamos a transferência de um único embrião por vez, a fim de garantir uma gestação saudável. Na FIV, o número de embriões transferidos pode ser controlado, diferentemente de alguns casos de indução da ovulação nos quais o número de óvulos por ciclo pode ser maior que um”, afirma a Dra. Graziela. Ainda assim, ter bons embriões eleva as chances de sucesso do tratamento.
É possível escolher o sexo do bebê (MITO)
Embora a tecnologia permita a identificação do sexo do embrião, a escolha não é legal. “No Brasil, de acordo com as resoluções do CFM (Conselho Federal de Medicina), o tratamento de FIV para sexagem é proibido”, reforça a Dra. Paula.
A técnica pode reduzir o risco de doenças hereditárias (VERDADE)
“Na FIV, podemos analisar os embriões para qualquer cromossomo ou gene conhecido, e colocar no útero apenas aqueles sem alterações”, explica a Dra. Paula Fettback.
A questão da Idade e os Cuidados no Tratamento
A idade da mulher é um fator crucial, mas não é uma barreira intransponível. A Dra. Graziela Canheo destaca que a idade ideal para realizar a FIV é preferencialmente antes dos 35 anos, quando a qualidade e a quantidade de óvulos são maiores. No entanto, procedimentos com mulheres acima de 40 anos são rotineiros.
“A FIV com mais de 40 anos é muito utilizada, mas tem como principal limitação a redução da qualidade dos óvulos”, aponta a Dra. Paula Fettback. “Isto se reflete em menos embriões com boa qualidade e, consequentemente, menor taxa de gravidez. Na FIV, unimos matéria-prima: óvulo e espermatozoide. Se algum destes for ruim, não teremos um bebê.”
As especialistas ressaltam que não há um limite pré-estabelecido de tentativas de FIV, desde que a paciente tenha saúde e condições clínicas favoráveis. A repetição não causa danos físicos à mulher, mas demanda um acompanhamento próximo devido ao forte impacto psicológico gerado pelas expectativas de cada ciclo.
Além dos riscos inerentes a procedimentos médicos, como a rara síndrome de hiperestimulação ovariana ou pequenos riscos ligados à sedação na captação dos óvulos, o preparo exige cuidados prévios. “É fundamental que os pacientes passem por uma avaliação completa, investigando as possíveis causas da infertilidade e adequando hábitos de vida”, orienta a Dra. Graziela Canheo.
“Os tratamentos de reprodução assistida, especialmente a FIV, oferecem a todas as formações familiares a possibilidade de realizar o sonho de ter um filho. Embora ainda existam diversas barreiras, esses avanços representam uma oportunidade inclusiva para quem deseja construir uma família”. Conclui a Dra. Graziela.
Dra. Graziela Canheo
CRM 145288 | RQE 68331
Ginecologista e Obstetra
Reprodução Humana
- Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010)
- Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013)
- Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014)
- Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015)
- Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016)
- Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019)
- Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana
- Diretora técnica e médica da La Vita Clinic
Dra. Paula Fettback
CRM 117477 SP
CRM 33084 PR
- Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina – UEL (2004).
- Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007)
- Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana.
- Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan – USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016).
- Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
- Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM – 2016)
- Médica da Clínica MAE São Paulo – SP
- Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020)
Nota cedida por: UPDATE COMUNICAÇÃO
Foto: Divulgação
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