Geral
Conjunto veterano da música instrumental, Brazilian Grupo lança Oscaravelhos, unindo samba-jazz e bossa nova
Os músicos Aluizio Pontes, Clayber de Souza, Hector Costita, João Parahyba e Giba Pinto
apresentam álbum com diversidade de estilos e faixas autorais
Brazilian Grupo (Clayber de Souza, Giba Pinto, João Parahyba, Hector Costita e Aluízio Pontes – ao piano).
Bossa nova, samba-jazz e humor se encontram no lançamento do Brazilian Grupo pelo Selo Sesc, Oscaravelhos, que chega às principais plataformas de áudio no dia 24/4, sexta-feira. O veterano quinteto instrumental paulista, que reúne músicos com trajetórias que atravessam mais de 60 anos da música brasileira, demonstra o clima descontraído pelo título escolhido para o trabalho:
Oscaravelhos uma brincadeira interna e revela a leveza que acompanha a convivência dos integrantes e reflete a intimidade que impera entre os integrantes. O disco parte desse encontro entre diferentes experiências para construir um repertório que dialoga com a tradição e o presente.
A formação reúne o contrabaixista e gaitista Clayber de Souza, o pianista Aluízio Pontes e o saxofonista Hector Costita, ligados à cena do samba-jazz em São Paulo desde os anos 1960, ao lado do percussionista João Parahyba, conhecido por sua atuação no Trio Mocotó, e do baixista Giba Pinto, integrante de uma geração posterior.
“A relação com o Aluízio foi histórica. Nós tocamos muito juntos. Gosto dele como se fosse meu irmão, tenho um amor fora de série por ele. Sabe como é que é o final do nosso show? No final do nosso show, nós saímos do piano, vamos na frente do público e damos um beijo na boca um do outro. Depois ele sai cuspindo e eu morro de rir. Sempre foi assim. Essa é a relação que eu tenho com esse cara. Foi um prazer que eu tive de gravar a música que ele fez, Meu Bolero”, declara com descontração Clayber de Souza.
O repertório reflete a diversidade de trajetórias e referências do grupo. Ao longo de oito faixas, o álbum traz samba, jazz, choro, bolero e influências latinas, rementendo à formação musical dos instrumentistas em bailes, bares e boates.
A abertura com El Detective, de Hector Costita, apresenta uma atmosfera inspirada em trilhas cinematográficas, com influência de jazz latino, enquanto Nano, também de sua autoria, encerra o disco em forma de samba e foi composta como homenagem a um de seus filhos, a partir de uma lembrança de infância.
Em Samba de Improviso, Aluízio Pontes, o sax dialoga com o vibrafone de Jota Moraes, convidado da faixa. Já Meu Bolero, também de Pontes, apresenta uma composição melódica e romântica interpretada por Clayber na gaita, seguida por um solo de piano.
“Nós fizemos um trabalho pesquisando e colocando a alma. Você senta, olha, pega o lápis, pesquisa, escreve. Eu fiquei muito feliz porque eu já nem contava que poderia fazer uma gravação e de repente me aparece essa oportunidade de fazê-la, e eu adorei fazer essas composições”, conta Aluízio Pontes.
As composições de Clayber de Souza aparecem nas faixas Forrozinho pro campeão, dedicada a Hermeto Pascoal e com participação da beterista Vera Figueiredo e do guitarrista Nathan Marques; e Choro-Jazz, que se apresenta como uma melodia cantável que se junta ao vibrafone de Jota Moraes, dando um tom pouco comum em um choro.
“Foi uma irmandade. O Hermeto me ensinou muita coisa e eu tenho a impressão que eu também ensinei alguma coisa para ele. Talvez muito mais sobre a amizade, a irmandade, do que propriamente musicalidade. Ele foi um cara sagrado para mim. Ele era para mim um bruxo”, conta Clayber.
Valente, de João Parahyba e Paulo Muniz Kannec, uma homenagem ao professor Wilton Valente, presente desde o começo da vida musical de Parahyba, configura-se como um samba-canção com participação de Natan Marques no violão. Já Valseta, de Janja Gomes, filho de Parahyba. reaparece em novo arranjo, retomando gravação anterior feita pelo baterista em 2011.
“Quando me pediram duas músicas, eu falei, ‘não, eu queria ver se o Costita e o Clayber, os meus professores, gostam dessa música’. E eles adoraram a música, falaram ‘nós vamos gravar essa’, então eles que escolheram para mim a Valseta’’ compartilha Parahyba.
O baixista Giba Pinto, que mantém uma relação musical de longa data com Parahyba, destaca a convivência entre os integrantes como um dos elementos centrais do projeto.
“Todos eles ainda tocam muito bem, são criativos e têm uma energia fora do comum quando tocam. Nos divertimos muito a cada vez que tocamos juntos, mas também vejo admiração e respeito mútuo entre eles. É impressionante a seriedade, o respeito que eles têm pela Música”, comenta Giba.
“Então fato de a gente ter se reunido, desses “caravelhos” terem se reunido, é realmente consequência do destino. A gente até fala aqui coincidência, mas não é coincidência essa coisa que tem que acontecer. O acontecimento realmente é muito interessante, porque está reunindo músicos e amigos para fazer um trabalho que manifesta de cada músico a sua particularidade e talento”, completa Costita.
Oscaravelhos, mais do que uma síntese de trajetórias, é um registro de convivência musical, onde memória, prática e criação dialogam em prol da música.
FAIXAS
1 – El Detective (Hector Costita)
2 – Nano (Hector Costita)
3 – Choro Jazz (Clayber de Souza)
4 – Forrozinho pro campeão (Clayber de Souza)
5 – Meu bolero (Aluízio Pontes)
6 – Samba de improviso (Aluízio Pontes)
7 – Valente (João Parahyba e Kannec)
8 – Valseta (Janja Gomes)
FICHA TÉCNICA Aluízio Pontes – piano
Celso de Almeira – bateria
Clayber de Souza – gaita
Giba Pinto – contrabaixo
Hector Costita – saxofone
João Parahyba – bateria e percussão
Jota Moraes – vibrafone
Marco Pontes Caixote – Fender Rhodes, Hammond B3 e Piano
Nahame Casseb – bateria
Natan Marques – guitarra e violão
Vera Figueiredo – bateria Gravado no Mosh Studios entre 18 e 27 de setembro de 2025.
Mixagem: Dalto Vicente
Masterização: Carlos Freitas
Técnicos de gravação: André Malaquias e Alex Angelone
Diretor e Produtor Musical: Marcos Pontes “Caixote”
Produtor Executivo: João Paulo (JP)
Projeto gráfico e ilustração: Alexandre Calderero
Fotos: Laura Aidar
Audiovisual: Sandro Takahashi
SOBRE OS ARTISTAS
ALUIZIO PONTES
Aluizio Pontes é maestro, arranjador e multi-instrumentista, com uma trajetória sólida e multifacetada na música brasileira. Natural de Caçapava (SP), iniciou seus estudos de piano aos oito anos de idade e, ainda jovem, destacou-se pelo domínio da harmonia, tornando-se arranjador aos quinze e maestro aos dezoito. Estreou como pianista profissional aos dezessete anos e, a partir da década de 1960, consolidou-se na cena musical paulistana, convivendo com importantes nomes da música brasileira e atuando nas principais casas de espetáculo do país. Ao longo de sua carreira, liderou o Sambalanço Trio, referência no samba-jazz, e fundou o grupo Orpheo Negro, com o qual realizou apresentações no Brasil e no exterior. Sua atuação se estende à composição e à direção musical para cinema, teatro e televisão, além de acompanhar grandes nomes da música brasileira e internacional. Sua musicalidade é marcada pela sofisticação harmônica e versatilidade, consolidando-o como uma referência no piano brasileiro e integrante do Brazilian Grupo.
CLAYBER DE SOUZA
Humberto Clayber de Souza, conhecido artisticamente como Clayber de Souza, construiu uma trajetória singular na música brasileira, marcada por duas fases de grande relevância. Atualmente dedicado exclusivamente à gaita, instrumento no qual se consolidou como um dos principais nomes do mundo, Clayber traz em sua formação uma base sólida como contrabaixista, tendo integrado grupos fundamentais do samba-jazz, como Sambalanço Trio, Sambrasa Trio e Sambossa 5. Reconhecido internacionalmente, foi eleito o melhor harmonicista do Brasil pela Hering e figurou entre os dez maiores do mundo segundo a tradicional fabricante alemã Hohner. Ao longo de sua carreira, participou da gravação de mais de 400 discos, com destaque para sua extensa produção como gaitista, consolidando uma discografia expressiva na música instrumental. Dividiu palco e estúdio com nomes como Oscar Peterson, Billy Eckstine, Flora Purim, Hermeto Pascoal e Airto Moreira. Sua musicalidade é marcada pelo domínio da harmonia e da improvisação, sendo também referência como educador e integrante do Brazilian Grupo.
GIBA PINTO
Giba Pinto é contrabaixista e compositor com sólida atuação na música popular brasileira e instrumental. Iniciou sua carreira profissional ao lado de Johnny Alf, estabelecendo desde cedo uma conexão com a tradição do samba-jazz e da música brasileira sofisticada. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu uma linguagem musical consistente, marcada pela precisão rítmica e sensibilidade harmônica. Além de sua atuação como instrumentista, destaca-se também como educador, contribuindo para a formação de novos músicos e ampliando seu impacto no cenário musical. Participou de diversas colaborações ao longo de sua carreira, atuando em projetos relevantes da música brasileira. Sua presença no Brazilian Grupo reforça a base rítmica e a coesão musical do conjunto, consolidando sua importância como instrumentista no grupo.
HECTOR COSTITA
Hector Costita é um dos nomes fundamentais na consolidação do samba-jazz no Brasil. Iniciou sua carreira na Argentina, atuando como saxofonista na orquestra de Lalo Schifrin, antes de se estabelecer definitivamente no cenário musical brasileiro, onde desenvolveu uma trajetória de grande relevância artística. Sua atuação contribuiu diretamente para a formação de uma linguagem instrumental moderna no país, conectando o jazz à música brasileira. No Brasil, integrou a Orquestra de Simonetti e desenvolveu carreira solo com álbuns marcantes, como Impacto, considerado uma obra emblemática do gênero. Ao longo de sua trajetória, acompanhou importantes intérpretes da música brasileira, como Elis Regina e Elizeth Cardoso. Sua sonoridade e abordagem improvisativa o consolidam como referência no saxofone e integrante do Brazilian Grupo.
JOÃO PARAHYBA
João Parahyba é um dos bateristas mais importantes da música brasileira, com uma trajetória diretamente ligada à evolução rítmica da música popular a partir da década de 1960. Iniciou sua carreira aos dezessete anos na Boate Jogral, em São Paulo, inserindo-se rapidamente no circuito profissional e consolidando sua linguagem musical em meio a importantes movimentos da época. Em 1968, fundou o lendário Trio Mocotó, grupo responsável por desenvolver uma batida marcante que se tornaria referência na música brasileira dos anos 1970. Ao longo de sua carreira, acompanhou artistas como Jorge Ben Jor e participou de projetos históricos ao lado de Vinicius de Moraes e Toquinho. Sua atuação consistente e inovadora o consolidam como referência na bateria e integrante do Brazilian Grupo.
SOBRE O SELO SESC
Desde 2004 o Selo Sesc traz a público obras que revelam a diversidade e a amplitude da produção artística brasileira, tanto em obras contemporâneas quanto naquelas que repercutem a memória cultural, estabelecendo diálogos entre a inovação e o histórico. Em catálogo, constam álbuns em formatos físico e digital que vão de registros folclóricos às realizações atuais da música de concerto, passando pelas vertentes da música popular e projetos especiais. Entre as obras audiovisuais em DVD, destacam-se a convergência de linguagens e a abordagem de diferentes aspectos da música, da literatura, da dança e das artes visuais. Os títulos estão disponíveis nas principais plataformas de áudio, Sesc Digital e Lojas Sesc. Saiba mais em: sescsp.org.br/selosesc
SOBRE O SESC SÃO PAULO
Com 79 anos de atuação, o Sesc – Serviço Social do Comércio conta com uma rede de 42 unidades operacionais com atendimento presencial e 4 unidades operacionais com atendimento não presencial no estado de São Paulo e desenvolve ações com o objetivo de promover bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores do comércio, serviços, turismo e para toda a sociedade. Mantido pelos empresários do setor, o Sesc é uma entidade privada que atua nas dimensões físico-esportiva, meio ambiente, saúde, odontologia, turismo social, artes, alimentação e segurança alimentar, inclusão, diversidade e cidadania. As iniciativas da instituição partem das perspectivas cultural e educativa voltadas para todas as faixas etárias, com o objetivo de contribuir para experiências mais duradouras e significativas. São atendidas nas unidades do estado de São Paulo cerca de 30 milhões de pessoas por ano. Hoje, aproximadamente 50 organizações nacionais e internacionais do campo das artes, esportes, cultura, saúde, meio ambiente, turismo, serviço social e direitos humanos contam com representantes do Sesc São Paulo em suas instâncias consultivas e deliberativas. Mais informações em sescsp.org.br
SELO SESC NAS REDES
Site Oficial
Instagram
YouTube
Nota cedida por: Sofia Calabria
Foto: Laura Aidar
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o Papo Reto no Instagram.
** A opinião expressa neste texto não é necessariamente a mesma deste site de notícias.
© 2023 Papo Reto | A reprodução deste conteúdo é estritamente proibida sem autorização prévia.
-
Geral5 dias atrásFresno lança ‘Carta de Adeus’, 11⁰ disco de inéditas que traz a alma do grupo e dispensa filtros
-
Geral5 dias atrásJK IGUATEMI RECEBE A PRÉ ESTREIA DE “2DIE4”, PRIMEIRO FILME BRASILEIRO EM IMAX
-
Geral2 dias atrásMC Kadu e DJ Perera lançam “Autismo”, com documentário no Youtube
-
Geral1 dia atrásKidzhouse Festival, maior evento infantil do Brasil, chega a sua terceira edição em formato all inclusive de diversão
-
Geral2 dias atrásAgrishow 2026: Valtra lança Série M5, evolução da consagrada linha BH de tratores
-
Entretenimento3 dias atrásAna Paula Renault volta a BH e vai à missa de sétimo dia do pai, Gerardo
-
Geral2 dias atrásCantora Evinha se apresenta no Sesc Belenzinho
-
Geral5 dias atrásSabrina Sato e Dona Kika celebram intimidade e conexão em campanha da HOPE

