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May e Gabi consolidam protagonismo no sertanejo feminino e revelam detalhes da trajetória em entrevista exclusiva
A história de May e Gabi parece roteiro escrito com precisão de tempo e propósito. O que começou como um contato virtual, em plena pandemia, transformou-se em uma das duplas femininas mais comentadas do sertanejo atual e, segundo elas mesmas, “um encontro que só Deus poderia explicar”.
As duas se conheceram on-line durante um evento voltado para mulheres da música, quando os encontros presenciais ainda estavam suspensos. Morando em estados diferentes e contrariando expectativas, iniciaram uma parceria como compositoras. O primeiro encontro presencial aconteceu apenas um ano depois, em um evento para compositores. Foi ali que perceberam que havia algo além da afinidade profissional. “Cantamos juntas e vimos que as vozes se encaixavam perfeitamente, as personalidades se complementavam e estávamos na mesma página sobre o momento de carreira”, relembram. O que poderia ser apenas uma colaboração pontual se revelou um projeto alinhado, natural e carregado de propósito.
Identidade feminina com raízes firmes
Em um momento de afirmação do sertanejo feminino, May e Gabi entendem seu papel como continuidade de um movimento construído por mulheres que vieram antes. Elas valorizam as pioneiras do gênero, mas fazem questão de imprimir autenticidade. “Cantamos a vida real do nosso jeito”, afirmam.
A influência do sertanejo vem da infância, herdada dos pais, o que reforça o respeito às raízes do estilo. Ao mesmo tempo, a dupla traduz sentimentos com a linguagem da própria geração equilibrando tradição e contemporaneidade.
Do “eu” ao “nós”
Antes da formação da dupla, ambas já possuíam carreiras consolidadas individualmente. A transição exigiu desconstruções importantes. Artisticamente, foi preciso abrir mão de “vícios de artista solo” para encontrar um ponto de convergência que representasse verdadeiramente May e Gabi como unidade. Emocionalmente, o maior desafio foi o ego. “Desconstruímos o ‘eu/meu’ sobre tudo que diz respeito ao trabalho. Sem isso não seria possível construir o ‘nós’, que é essencial para uma dupla”, destacam.
Essa construção conjunta também se reflete na identidade vocal. A alternância da primeira voz hoje marca registrada da dupla surgiu de maneira espontânea no primeiro encontro presencial. “As duas queriam ser segunda voz”, brincam. A troca aconteceu naturalmente durante uma música, sem combinação prévia, e acabou se tornando um diferencial estético e estratégico: uma surpresa para os ouvidos atentos.
Histórias reais, sentimentos reais
Em um mercado onde regravações e fórmulas prontas frequentemente dominam as plataformas, May e Gabi optam por apostar majoritariamente em músicas autorais. Para elas, a escolha é tanto artística quanto estratégica. “Ninguém conta a nossa história melhor que a gente.” As composições nascem de vivências pessoais ou de histórias de pessoas próximas. O processo criativo começa com longas conversas como um bate-papo entre amigas que, pouco a pouco, ganham melodia.
O reconhecimento do público e do mercado tem acompanhado essa proposta. A música “Pesadelo” ganhou destaque em páginas especializadas do gênero, ampliando a visibilidade da dupla em um cenário altamente competitivo. Para elas, essa validação representa continuidade e reconhecimento profissional. “É importante para artistas com identidade forte como nós.”
A permanência por seis meses na playlist editorial Geração Sertaneja reforça esse posicionamento. Segundo a dupla, o segredo está no equilíbrio: compreender as dinâmicas do streaming sem negociar a própria essência. “Nosso foco é coexistir com o mercado, equilibrando a demanda com quem nós somos.” A música “Você é Você”, lançada em dezembro de 2025, permanece há meses na curadoria da playlist.
Uma trilogia sobre humanidade
O DVD Sentimentos Reais – A História Continua marca um novo capítulo na trajetória da dupla. Se o título fala em continuidade, o conteúdo aponta para aprofundamento. Atualmente, May e Gabi descrevem estar escrevendo o capítulo das “Pessoas Reais” aquelas que erram, se enganam, enfrentam julgamentos e armadilhas emocionais, mas aprendem a se reconhecer.
O novo projeto aposta em formato acústico, figurino cotidiano e ambientação em estúdio sem cenários grandiosos. A proposta é despir excessos para revelar humanidade. A obra integra uma trilogia que percorre o julgamento externo, a intensidade emocional e culmina na lucidez de quem se reconhece.
O momento da virada
Com mais de 2 milhões de visualizações no YouTube e números expressivos nas plataformas digitais, a consolidação do projeto se tornou perceptível em diferentes momentos. No entanto, um deles foi determinante: quando o público passou a cantar as músicas nos shows e compartilhar histórias pessoais motivadas pelas canções. “Isso é emocionante e impactante”, afirmam.
Se “Vontade da Gente” abriu portas e “Pesadelo” consolidou números, a dupla garante que ainda há muitos capítulos a serem escritos. “Temos tantas histórias para contar. Com certeza serão tão verdadeiras quanto as primeiras.”
Música como missão
Além da carreira artística, May e Gabi também assumem um posicionamento social. A participação em eventos de combate à violência contra a mulher, especialmente em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, amplia o alcance da mensagem que defendem. Para elas, a música vai além do entretenimento: é ferramenta de informação, conscientização e esperança.
“É nosso trabalho, mas também é um propósito: encontrar a melhor versão de nós artistas e ouvintes.”
Assim, May e Gabi seguem construindo uma trajetória pautada pela verdade, pela identidade e pela convicção de que, quando o encontro é certo, a música deixa de ser apenas som e se transforma em conexão.
Abaixo entrevista exclusiva com A dupla:
A união de vocês é descrita como “um encontro que só Deus poderia explicar”. Para o público que ficou curioso com essa afirmação, como foi que esse encontro aconteceu?
– Nos encontramos primeiramente on-line, em um evento para mulheres da música na época da pandemia, quando eventos presenciais ainda estavam suspensos. Contra todas as expectativas, cada uma morando em um Estado, começamos a trabalhar juntas como compositoras e só nos encontramos pessoalmente 1 ano depois, num evento presencial para compositores. Lá tivemos oportunidade de cantar jantas e ver que as vozes se encaixavam perfeitamente, personalidades se complementavam, que estávamos na mesma “página” sobre o momento de carreira. Foi um encontro no tempo certo, foi natural, alinhado, com muito propósito.
O sertanejo feminino vive um momento de afirmação e protagonismo. Como vocês enxergam o papel de May e Gabi nesse movimento e de que forma constroem uma identidade própria sem perder a conexão com as raízes do gênero?
– Nós valorizamos as mulheres que vieram antes de nós. Acreditamos que nosso papel é valorizar a verdade feminina, mas construindo identidade cantando a vida real do nosso jeito. Temos o sertanejo como parte da nossa identidade musical desde pequenas, por influência dos nossos pais; por isso, respeitamos as raízes do sertanejo, mas falamos a linguagem da nossa geração.
Vocês já tinham carreiras consolidadas individualmente. O que precisou ser desconstruído artisticamente e emocionalmente para que surgisse uma identidade verdadeiramente nova como dupla?
– O que desconstruímos na questão artística, foram vícios de artista solo, coisas que eram 100% a May e outras 100% a Gabi, pra que encontrássemos no meio disso o melhor das duas pra criar esse novo “produto” May e Gabi. Na questão emocional, desconstruímos o “ego”, no sentido de “eu/meu” sobre tudo que diz respeito ao trabalho – que, inclusive, foi o que possibilitou a desconstrução artística que existia antes. Sem isso não seria possível construir o “nós” que é essencial pra uma dupla.
Vocês apostam fortemente em músicas autorais. Em um mercado onde regravações e hits prontos muitas vezes dominam as plataformas, por que escolher contar as próprias histórias é tão estratégico para a consolidação da carreira da dupla?
– Porque nós cantamos histórias reais que já vivenciamos… ninguém conta a nossa história melhor que a gente. A música autoral mostra identidade… é o “nosso jeitinho” de ser. E o público tem abraçado.
Vocês adotam a alternância da primeira voz, o que acaba construindo uma identidade única para a dupla. Essa escolha foi algo natural, estético ou pensada de forma estratégica?
– Na verdade, as duas queriam ser segunda voz kkkkkkkk. Mas, brincadeiras à parte, isso foi natural, aconteceu na primeira vez que cantamos juntas (lá naquele evento presencial que comentamos acima), sem combinar nada de troca de voz durante a música… Foi legal, deu certo. Então, quando decidimos fazer a dupla, entendemos que esse seria nosso toque especial. Tipo uma “surpresa” pros ouvidos atentos.
O DVD “Sentimentos Reais – A História Continua” carrega no título a ideia de continuidade. Que capítulo dessa história vocês acreditam estar escrevendo agora na carreira?
– Agora, nesse momento, estamos escrevendo o capítulo das “Pessoas Reais”: aquelas que cometem erros, se enganam, caem em armadilhas emocionais, são julgadas antes mesmo de serem ouvidas. Mas que tomam consciência de que as coisas não são sobre o outro, são sobre como elas se sentem. Por isso esse novo projeto é acústico, com figurino bem “dia-a-dia”, no estúdio, que é um ambiente de trabalho e não um cenário montado: pra ser despido dos acontecimento e ser mais “humano”. É uma Trilogia May e Gabi, que a gente vem caminhando do julgamento externo até a intensidade emocional e, por fim, à lucidez de quem se reconhece.
As canções de vocês falam sobre sentimentos reais e experiências que geram identificação imediata. Como nasce uma música de May e Gabi? Ela parte de vivências pessoais, de relatos de fãs ou de observações do cotidiano?
– Elas nascem de um acontecimento da vida real. Muitas vezes, vivências nossas. Outras, vivências de pessoas muito próximas que, de certa forma, passamos junto. Nos sentamos como boas amigas, conversamos muito sobre a história, um bate-papo longo, que depois ganha uma melodia pra ser cantada e não mais apenas contada.
“Pesadelo” ganhou destaque rapidamente em páginas como Renato Sertanejeiro e Conceito Sertanejo. O que essa validação de curadores do gênero representa dentro de um mercado cada vez mais competitivo e qual o impacto dela na carreira da dupla?
– Representa continuidade e reconhecimento pelo trabalho que a gente tem feito por todo esse tempo e o impacto é a notoriedade que a gente acaba ganhando, pelas pessoas entenderem que estamos prateleira de quem realmente encara a música com seriedade profissional. É um tipo de “validação” que pra artistas tão “identidade” como nós, é muito importante.
Permanecer por seis meses na playlist editorial Geração Sertaneja é um feito raro no mercado atual. Como vocês conseguem equilibrar as dinâmicas e exigências do streaming com a autenticidade artística, mantendo a proposta de contar “histórias reais sobre sentimentos reais” sem que essa verdade se transforme apenas em estratégia de marketing ou produto?
– A gente entende, respeita e estuda a demanda do mercado. Mas, hoje, não negociamos a nossa identidade. Então, nosso foco é coexistir com o mercado, equilibrando a demanda com quem nós somos. Afinal, “equilíbrio é tudo”, já dizia May e Gabi kkkkkkkkkk. Inclusive, nossa música “Você é Você, que foi lançada em 05 de Dezembro de 2025 já está há quase 3 meses na Geração Sertaneja.
Com mais de 2 milhões de visualizações no YouTube e números expressivos nas plataformas digitais, qual foi o ponto de virada em que vocês perceberam que o projeto havia ultrapassado a fase de aposta e se tornado uma realidade sólida?
– Foram vários momentos. Mas tudo se tornou muito palpável quando as pessoas começaram a cantar com a gente as nossas músicas. Além disso, passaram a compartilhar suas histórias depois de se identificarem com as músicas. Isso é emocionante, impactante.
Se “Vontade da Gente” foi a música que abriu portas e “Pesadelo” consolidou números, qual sentimento ainda falta transformar em canção para que a história de May e Gabi esteja completa?
– May e Gabi ainda têm tantas histórias ainda pra contar!!!! Não sabemos qual sentimento ou história, especificamente. Mas, com certeza, será algo tão verdadeiro, quanto os primeiros álbuns. Temos muitos “capítulos” ainda pela frente! Aguarde kkkkk.
A participação em eventos de combate à violência contra a mulher em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul amplia o papel social da dupla. Vocês se veem como artistas que assumem uma missão além da música?
– Sim. Pra gente, a música vai além do entretenimento. É informação, conscientização e, principalmente, esperança. É nosso trabalho, mas também é um propósito: encontrar a melhor versão de nós (artistas e ouvintes).
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