Geral
Mulheres que movem os bastidores da música brasileira
Gestão, estratégia e direitos autorais: o protagonismo feminino que sustenta o mercado além dos holofotes
Quando se fala em música, muita gente pensa imediatamente no palco, nos shows lotados e nas plataformas digitais. Mas o que sustenta uma carreira não está apenas na performance artística. Existe uma engrenagem complexa que envolve gestão, planejamento, contratos, direitos autorais, estratégia de lançamento e organização financeira. E é nesse bastidor, muitas vezes invisível, que mulheres vêm assumindo papéis cada vez mais decisivos no mercado musical brasileiro.
À frente dessa atuação técnica está Paula Pires, empresária, especialista em gestão e arrecadação de direitos autorais e representante da SBACEM no Centro-Oeste. Com formação como mestre em Educação e especialização em métodos e técnicas de pesquisa científica, Paula levou para o setor musical uma base metodológica pouco comum no mercado artístico.
Antes de iniciar sua atuação direta na música, ela passou de dois a três anos pesquisando o setor. Diante da escassez de referências técnicas sobre o funcionamento da indústria musical no Brasil, precisou construir seu próprio referencial por meio de entrevistas com profissionais que vivenciam o dia a dia do mercado.
“Eu precisei entender o mercado primeiro. Pesquisei, transformei isso em projeto e só depois comecei a atuar”, explica.
O “organismo musical” além do palco
Paula define o setor como um “organismo musical”, composto por categorias reconhecidas pela legislação. Como compositores, intérpretes, músicos executantes e produtores fonográficos. E por uma extensa rede de subcategorias que não aparecem nos créditos principais, mas são fundamentais para que a música exista.
Figurinistas, maquiadores, iluminadores, equipes administrativas responsáveis por cadastros, produtores de conteúdo, equipes de marketing digital, técnicos de palco e contratantes de shows formam um sistema integrado. “Todo esse bastidor trabalha quase no anonimato”, observa.
Esse entendimento se aprofundou ao longo de sua atuação na gestão coletiva de direitos autorais. Segundo ela, um dos principais desafios enfrentados pelos artistas é compreender que uma mesma pessoa pode exercer várias funções em uma única música, e que cada função gera direitos diferentes.
Um compositor pode também ser intérprete, músico executante e produtor fonográfico. Cada categoria possui percentuais específicos de direitos autorais e conexos. “Quando o artista entende o que ele faz dentro da música e quais são os direitos que decorrem disso, ele consegue planejar melhor a carreira e fazer uma gestão financeira sustentável”, afirma.
Dados que reforçam a importância da gestão
O Brasil está entre os maiores mercados musicais do mundo. Relatórios recentes da IFPI colocam o país entre os dez maiores mercados globais em receita fonográfica, impulsionado principalmente pelo crescimento do streaming. Plataformas como Spotify e Deezer ampliaram o alcance da música brasileira, mas também tornaram o ambiente mais competitivo e técnico.
Nesse cenário, profissionalização deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade. Cadastro correto de obras, organização contratual e conhecimento sobre arrecadação impactam diretamente no rendimento do artista.
*Desigualdade estrutural e avanço feminino*
Embora o mercado tenha se modernizado, as desigualdades ainda persistem. Paula aponta que, historicamente, as categorias reconhecidas na legislação autoral foram ocupadas majoritariamente por homens. Mulheres compositoras, instrumentistas e produtoras ainda enfrentam desafios para conquistar espaço e reconhecimento.
Ela observa que, em negociações e decisões estratégicas, a voz masculina muitas vezes recebe mais credibilidade automática. No entanto, há avanços significativos nas últimas duas décadas, especialmente em áreas como marketing digital, comunicação, gestão de plataformas e liderança em gravadoras.
“Por fim, a presença feminina fora do palco em cargos técnicos, estratégicos e de liderança contribui para um ambiente mais diverso, inclusivo e colaborativo. E diversidade não é apenas uma pauta social: é uma estratégia de inovação e crescimento”, afirma Paula.
Quando o sonho vira empresa
Se Paula Pires representa o olhar técnico e estrutural do mercado, a dupla May & Gabi traz a perspectiva prática de quem vive a carreira artística no dia a dia.
Cantoras e compositoras, May & Gabi constroem trajetória no cenário sertanejo e se destacam por assumir papel ativo na gestão da própria carreira. Para elas, o momento decisivo foi simbólico: “Foi quando o sonho virou CNPJ”.
A formalização trouxe responsabilidades que vão muito além da criação artística: metas, equipe, contratos, decisões estratégicas e planejamento financeiro. “Entendemos que não era só o que amávamos fazer, mas um trabalho real, com organização e gestão.”
A dupla reconhece que já enfrentou situações em que a falta de informação poderia comprometer o trabalho. Por isso, adotaram o estudo constante como prática. “Quanto mais conhecemos os processos, mais conscientes nos tornamos para gerir nossa carreira.”
*Mulheres que assumem a direção*
May & Gabi também relatam desafios específicos enquanto mulheres no mercado. “Às vezes precisamos provar nossa capacidade antes mesmo de fechar uma negociação”, afirmam. Em algumas situações, preferem negociar com homens, mesmo que as decisões finais sejam delas.
Para elas, ter profissionais qualificados nos bastidores é um investimento estratégico. “No longo prazo, evita retrabalho, prejuízo e desgaste. O artista precisa ter tempo para ser artista.”
É justamente nessa conexão entre conhecimento técnico e prática artística que a presença de lideranças como Paula Pires se torna central. A experiência dela em gestão coletiva, organização e direitos autorais dialoga diretamente com as necessidades apontadas por artistas independentes.
Informação que se torna conhecimento
Para Paula, o diferencial feminino nos bastidores muitas vezes esteve na organização e na capacidade de transformar informação em conhecimento aplicado. “Informação sozinha não muda nada. É quando ela vira prática que rompe barreiras.”
A mensagem compartilhada por ambas é clara: encarar a música como empreendimento, buscar formação e não ter medo de assumir decisões estratégicas.
Nos palcos, o público vê o espetáculo. Mas é nos bastidores que carreiras são sustentadas, planejadas e protegidas. E cada vez mais, são mulheres que movem essa engrenagem, conectando gestão, direitos autorais e visão estratégica para fortalecer a música brasileira.
Nota cedida por: Flora Alves Assessoria
Foto: Divulgação
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