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Presença de pessoas autistas cresce nas universidades, mas permanência ainda enfrenta barreiras estruturais

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Pesquisa de doutorado de Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil, propõe novo modelo para avaliar inclusão no ensino superior e discute o conceito de justiça neurocognitiva

O número de estudantes autistas nas universidades brasileiras vem crescendo nos últimos anos, impulsionando debates sobre acessibilidade, inclusão e permanência acadêmica no ensino superior. A Autistas Brasil, porém, aponta que ainda existem barreiras institucionais que dificultam a participação plena desses alunos no ambiente universitário.
O tema é o centro da tese de doutorado defendida pelo pesquisador Guilherme de Almeida, presidente da Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas (Autistas Brasil), na Faculdade de Educação da Unicamp. A pesquisa, intitulada “Presença/Ausência de Pessoas Autistas no Ensino Superior Público: justiça neurocognitiva e autoria histórico-criativa como práxis emancipadora”, investiga como universidades públicas brasileiras ainda operam com modelos institucionais que dificultam a permanência e o desenvolvimento acadêmico de estudantes autistas.
Segundo o estudo, o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas, o equivalente a 1,2% da população, de acordo com o Censo Demográfico de 2022. No ensino superior, porém, as pessoas autistas representam cerca de 0,8% dos estudantes.
Para Guilherme de Almeida, o debate sobre inclusão universitária precisa avançar além das políticas de acesso. “A universidade pública brasileira garante matrícula, mas não garante autoria. O estudante consegue entrar, mas muitas vezes continua enfrentando barreiras estruturais para permanecer, participar e produzir conhecimento em igualdade de condições”, afirma.
A tese propõe o conceito de “justiça neurocognitiva”, que defende o reconhecimento de diferentes formas de processamento e produção de conhecimento dentro das instituições de ensino. O trabalho também apresenta o Sistema de Avaliação Ecológica Dinâmico (SAED), modelo desenvolvido para avaliar a própria universidade — e não apenas o estudante — em temas relacionados à inclusão, acessibilidade e permanência acadêmica.
Segundo Guilherme de Almeida, os instrumentos criados na pesquisa já estão estruturados para aplicação prática no cotidiano das universidades, permitindo que instituições consigam identificar barreiras, avaliar políticas internas e construir estratégias permanentes de inclusão e permanência acadêmica.
A pesquisa foi desenvolvida no Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia e Educação PAIDEIA, da Unicamp, com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Recentemente, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) também criou a Comissão Nacional de Acessibilidade e Inclusão no Ensino Superior (Conacess), iniciativa voltada ao estudo e fortalecimento de políticas de acessibilidade e inclusão nas universidades brasileiras.
“A discussão sobre inclusão no ensino superior deixou de ser periférica. Hoje existe uma demanda institucional concreta para que universidades avancem em permanência, acessibilidade e participação efetiva de estudantes com deficiência”, afirma Guilherme.
SOBRE A AUTISTAS BRASIL
Organização nacional fundada e liderada por pessoas autistas, a Autistas Brasil atua na formulação de políticas públicas, na incidência jurídica e no desenvolvimento de programas educacionais em larga escala. Nos últimos três anos, suas ações alcançaram mais de 21 mil educadores em todo o país, consolidando a instituição como referência em inclusão, neurodiversidade e direitos humanos.
SOBRE O GUILHERME DE ALMEIDA

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Guilherme de Almeida é presidente da Autistas Brasil. Doutor e mestre em Educação pela UNICAMP, com pesquisa voltada à justiça neurocognitiva e à autoria epistêmica de pessoas autistas, é também bacharel em Direito pela PUC-PR. Bolsista de excelência acadêmica da CAPES, integra o Stanford Neurodiversity Project e o Comitê dos Direitos das Pessoas com Deficiência do CNJ. Pesquisador do grupo PAIDEIA/UNICAMP, é pessoa autista e atua como autoadvogado na defesa de direitos e inclusão.

Nota cedida por: Alter Conteúdo

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Foto: Guilherme de Almeida

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** A opinião expressa neste texto não é necessariamente a mesma deste site de notícias.

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